Bem vinda, simetria!
Estou repescando resultados satisfatórios do passado recente. Quando parei de fazer as paisagens em 2012, logo comecei a fazer pinturas e colagens abstratas ao mesmo tempo. Me dediquei mais às colagens, mas eu já havia colecionado umas três dezenas de quadros abstratos geométricos que me satisfizeram muito. Tentei retomar faz pouco tempo esse tipo de pintura em tamanhos menores, telas de 50 x 70 cm. Até deu certo. Mas eu voltei a procurar tamanhos maiores, onde a geometria criada pudesse alçar ares mais dinâmicos. Esse quadro novo é 95% simétrico. Queria me dedicar a ele por 3 meses. Mas em poucas sessões ele se resolveu. Vi que ele tem espaços bem definidos e a convivência de espaços criados talvez seja a melhor qualidade dessa pintura. Tem um ditado que diz: um lugar para cada coisa e cada coisa em seu lugar. Acredito que consegui isso com essa tela. Ela também tem transparências e opacidades. Esses contrapontos de linguagem dão prazer. E provocar a felicidade das pessoas em cada tela vem a ser um intento misterioso mas determinado de cada pintura nova. A felicidade em quem vê é um objetivo. É igual ir num filme de humor: você espera rir.
A simetria é uma linha de tensão que sempre tive dificuldade de assumir. É incômodo esperar encontrar do outro lado da pintura a mesma imagem espelhada. Nessa pintura nova, ora parece um inseto bonito, ora um fragmento de caleidoscópio. Nessa pintura consegui, talvez pela primeira vez, desenvolver a evolução da composição não como uma escrita da esquerda para direita, de cima a baixo. Mas como uma imagem que aceita orientações geométricas causais. Uma coisa leva a outra, que leva a outra, que leva a outra. Espero ter feito algo inusitado, inédito e fresco. Tenho observado pintores da minha geração e buscado aprender com eles. Acho que meu esforço é sair de uma catarse e entrar num modo de raciocínio visual mais dinâmico, estruturado e planejado. O presente quadro trouxe essas novidades como porta de entrada para um campo de reflexão não da soma de camadas desencontradas como no passado. Mas da possibilidade de adicionar novas formas às novas camadas apenas. Sem atropelo. Atropelo é um termo da street art e do pixo, quando um grafiteiro desenha em cima do outro sem autorização. Eu me atropelava muito antes desse quadro. Acho que é um aprendizado que pode se manter. Mas também é bom saber se expressar de uma maneira mais organizada, de modo que as camadas não se somem inadvertidamente umas sobre as outras.
A simetria é uma linha de tensão que sempre tive dificuldade de assumir. É incômodo esperar encontrar do outro lado da pintura a mesma imagem espelhada. Nessa pintura nova, ora parece um inseto bonito, ora um fragmento de caleidoscópio. Nessa pintura consegui, talvez pela primeira vez, desenvolver a evolução da composição não como uma escrita da esquerda para direita, de cima a baixo. Mas como uma imagem que aceita orientações geométricas causais. Uma coisa leva a outra, que leva a outra, que leva a outra. Espero ter feito algo inusitado, inédito e fresco. Tenho observado pintores da minha geração e buscado aprender com eles. Acho que meu esforço é sair de uma catarse e entrar num modo de raciocínio visual mais dinâmico, estruturado e planejado. O presente quadro trouxe essas novidades como porta de entrada para um campo de reflexão não da soma de camadas desencontradas como no passado. Mas da possibilidade de adicionar novas formas às novas camadas apenas. Sem atropelo. Atropelo é um termo da street art e do pixo, quando um grafiteiro desenha em cima do outro sem autorização. Eu me atropelava muito antes desse quadro. Acho que é um aprendizado que pode se manter. Mas também é bom saber se expressar de uma maneira mais organizada, de modo que as camadas não se somem inadvertidamente umas sobre as outras.
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